quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Atonement





“Atonement”, o mais recente trabalho do aclamado Joe Wright, é um filme muito na onda de “Orgulho e Preconceito” mas com uma temática muito mais complexa. Adaptado do celebre romance de Iam McEwan, homónimo, Atonement aborda assim três grandes temáticas, a adolescência, a projecção de consequências de pequenos actos, mas sobretudo a redenção.

No dia mais quente do Verão de 1935, Briony Tallis, uma jovem de 13 anos, vê a sua irmã mais velha, Cecilia (Keira Knightley), despir as suas roupas e mergulhar na fonte do jardim da sua casa de campo. Junto a Cecilia, está o filho do caseiro, Robbie Turner (James McAvoy), um amigo de infância que, tal como com a irmã de Briony, se diplomou recentemente em Cambridge. No final desse dia, a vida das três personagens terá mudado para sempre, Briony não tendo idade suficiente para compreender o que viu, assumiu as interpretações que a sua tenra idade lhe permitiram tirar. Interpretações essas que seriam inofensivas não tendo influenciado o seu testemunho de o acontecimento da mesma noite, sendo este não o que Briony viu mas do que esta quis ver, influenciada pelo que julgara ter assistido na tarde desse mesmo dia. Briony terá cometido um terrível pecado que leverá o resto da sua vida a tentar expiá-lo.

O filme conservou brilhantemente todas as interrogações do livro sobre a passagem turbulenta que é a adolescência, mostra-nos também o poder da arte quando é confundida com a realidade e dessas mesmas consequências, mas mais que isso, mostra-nos a arte e a criação como forma de redenção. A construção do livro em quatro fases é respeitada, na primeira a infância de Briony e o terrível acto que ela comete. Em relação à segunda parte queríamos realça-la pois não sendo este um filme do tipo bélico esta fase está muito bem caracterizada pois raras são as vezes em que com tanta credibilidade se mostrou tantos soldados na praia aguardando por um lugar no navio que os levaria a casa durante o conflito de 39-45. A terceira fase mostra-nos uma Briony um pouco mais velha entre os 18-20 anos, que tenta redimir-se pelo que fez à irmã e ao amado trabalhando num hospital, esta fase é talvez a menos conseguida, muito devido à interpretação de Briony que em comparação com a actriz que representa a mesma personagem mais jovem, tem uma interpretação inferior. Finalmente a quarta fase passasse num presente onde uma Briony nos seus 70 anos é entrevistada acerca do seu último romance, “Atonement”.

O filme será sem dúvida um dos melhores do ano. A realização de Joe Wiright, combinada com uma fotografia de cortar a respiração, um sólido e bem explorado argumento e as magnificas interpretações, colocam-no num dos favoritos ao Óscar de melhor filme.

A realização é arrojada, dadas as inúmeras prolepses e analepses que nos permitem ver divergentes interpretações dos mesmos acontecimentos e que exploram os pensamentos e desejos dos protagonistas.

A fotografia lembra-nos “Orgulhos e preconceito” no que toca a paisagem da primeira parte do filme, no entanto pode considerar-se mais rica especialmente com a cena de guerra. É de destacar também a banda sonora, que se insere muito bem no filme, servindo sempre de musica ambiente e de condutora de emoções quando necessário, mais um grande trabalho de Dario Marianelli.

Keira Knightley, e James MacAvoy fazem uma grande dupla com interpretações apaixonantes dos seus personagens e conseguindo dar-lhes alguma alma e personalidade para além daquela componente amorosa que seria de esperar. Robbie e Cecilia são assim mais do que amantes, são personagens que não são apenas definidas pela historia de amor que vivem. Não obstante o restante elenco tanto os actores secundários como os protagonistas são todos uito bons, com destaque paraSaoirse Ronanque consegue transmitir no seu olhar e desempenho toda a atmosfera do pensamento juvenil.

Os globos de Ouro já o provaram, com o prémio de melhor filme, e as nomeações de melhor actriz e actor principal (Keira Knightley e James MacAvoy), melhor actriz secundária (Saoirse Ronan), melhor realizador (Joe Wright) e melhor banda sonora (Dario Marianelli). Continua na corrida aos Óscares com nomeações para melhor Filme, melhor actriz secundária, melhor direcção artistica, melhor fotografia, melhor guarda-roupa, melhor banda sonora original e melhor argumento adaptado. Quer ganhe quer não, as nomeações são por si só um prémio, e um prémio merecido pois Atonement e sem dúvida uma grande obra prima.

Critica redigida, corrigida e elaborada por:


Rita Gomes e Tiago Dinis , Lagos.

2 comentários:

Anônimo disse...

aqi esta o "famoso" blog..x)
a critica ta cute e o blog em si tb =p

Madalena**

Anônimo disse...

Tou ansiosa para ver o filme!!!


Rita R