terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Children of Men

Alfonso Cuaron é um homem com talento depois de ter feito o Harry Potter melhor aceite pela crítica, ele está envolvido em dois filmes em 2006 de elevada qualidade, apesar do filme por ele produzido atingir um patamar acima em termos de qualidade (Pan's Labyrinth), Children of Men têm qualidades de sobra para ser considerado um bom filme, comecemos pelo argumento.

Em 2027. Não se sabe o motivo, mas as mulheres deixaram de ter a capacidade de engravidar. O mais novo ser humano morreu aos 18 anos e a humanidade está seriamente a enfrentar a possibilidade de extinção. Theodore Faron (Clive Owen) é um ex-activista desiludido que se tornou um burocrata e que vive numa Londres arrasada pela violência e pelas seitas nacionalistas em guerra. Procurado pela sua ex-esposa Julian (Julianne Moore), Theo é apresentado a uma jovem que misteriosamente está grávida. Ele passa a protegê-la a qualquer custo, por acreditar que a criança por vir seja a salvação da humanidade. Eis muito resumidamente a trama do filme.

O que se destaca desde logo é o ambiente do filme, apesar de estarmos integrados numa Inglaterra futurista degradada, ela é realista, não há grandes invenções do dia para a noite, os computadores são mais bonitos, e outros pormenores a nível estético estão lá para mostrar que houve alguma evolução nas tecnologias (nomeadamente os transportes privados como os carros). Podemos dizer que o retrato da situação está muito bem feito.

O estilo de filmagem câmara no ombro permite um envolvimento na acção muito maior, e certemente com um grande ecrã, o espectáculo deve ser aterrador por momentos, entre bombas, lágrimas, gritos e correrias temos a nossa parte de emoções. O filme têm uma grande componente de “acção” que não é violencia gratuita mas sim a forma lógica da sequência dos eventos. Uma coisa que não se pode deixar de se refirir é a fantástica interpretação de Michael Caine que interpreta Jasper um amigo de Theo que o vai ajudar na sua missão. Ele é um velho “hippie” que vive na floresta nos arredores de Londres, os momentos aí passados são muito agradáveis para o espectador. O desempenho dos outros actores também são de qualidade. A violência presente no filme marca muito mais do que em filmes ditos de pura acção pois aqui é quase real, sangue, efeitos não são exagerados mas parece que estão mesmo nas proporções certas, só vendo o filme é que se percebe o sentido do que estamos a tentar transmitir.

Children Of Men é também um filme que nos põe a reflectir tanto nas repercussões das acções numa escala mundial fazendo uma projecção do que pode acontecer se não mudarmos as nossas atitudes do presente, como no valor da vida, qual é o objectivo das nossas acções se vamos todos morrer e depois de nós mais nínguem estiver aqui ? O filme levanta uma serie de questões, que podem ser respondidas através do comportamento dos personagens.

A cena de destaque vai para a cena de “guerra”, em que na zona de refugiados se escondem os protagonistas com o primeiro bebé, num mundo em que à 18 anos não nasce ninguém, em que nos é perceptível as reacções das pessoas ao choro da criança, tanto dos refugiados, como da milícia como dos que o tentavam raptar para fins políticos,a cena que nos dá esperança em todo o filme.

O mais negativo talvez seja a cena final, sendo um cliché muito à moda de Titanic, e que deixa demasiado em aberto a história, ficamos sem saber se o objectivo dos protagonistas foi ou não realizado, se há esperança no meio daquilo tudo…

Concluíndo, “Children of Men” é um filme que não pode ser rotulado de Sci-fi pois essa é uma categoria muito restrita para tudo o que o filme é, sem o tentar catalogar, Children of Men é um filme que vale a pena ver quer seja pela temática e questões que levanta ou pela actuações de Michael Caine e Clive Owen. Foi pena estar a concorrer ao Óscar de melhor argumento adaptado com o monstro “The Departed”,caso contrario este seria garantido!


Critica redigida, corrigida e elaborada por:


Rita Gomes e Tiago Dinis , Lagos.



Um comentário:

Anônimo disse...

Quero tanto ver esse filme! Quando saiu estava a desejar ve.lo mas ninguem queria ir comigo entao acabei por nao ver! =(
Agora ainda estou com mais vontade!

Rita R