terça-feira, 1 de janeiro de 2008

"O Novo Mundo" (2005) de Terrence Malick


A história de Pocahontas é sobriamente conhecida devido à adaptação da disney, um clássico da animação baseado nos acontecimentos que seguiram a implamentação da primeira colónia inglesa permanente nos E.U.A. A visão de Malick é uma visão mais artistíca do que realmente um relato dos acontecimentos de forma simplista que foram descritos por Smith nas suas cartas ao governador. O argumento no papel não é muito original, mas o filme é tão bem feito que nos é perceptível o que seria estar na pele dos protagonistas todos os instantes.

O filme começa com a chegada dos navios ingleses a costa da actual Virginia nos E.U.A. e relata a história dos descobridores ingleses e da sua relação com os nativos que previamente habitavam a América. Como linha narrativa principal temos a história de amor entre John Smith (Colin Farrel) e Pocahontas (Q’Orianka Kilcher), que começa quando o capitão Smith é capturado pelos nativos, e Pocahontas salva-lhe a vida intercedendo a seu favor. Começa então o processo de conhecimento de ambos, passando os dias na tribo de Pocahontas, passeando por entre a floresta, interagindo com os nativos, o capitão Smith encontra ali a felicidade na simplicidade de vida que os nativos levam. Encontra um amor que julgava impossível, nos braços da filha preferida do rei da tribo, a princesa Pocahontas. Não dando ouvidos aos seus conselheiros que o aconselham a matar John Smith e expulsar os ingleses, o rei liberta-o, entregando-o à sua colónia. Iniciam-se agora uma serie de acontecimentos que giram à volta do relacionamento dos nativos com os descobridores, o papel de Pocahontas na sobrevivência dos ingleses, e o amor de Smith e Pocahontas.

Malick criou uma obra que mais parece um quadro por instantes, pois raros são os momentos em que são necessárias palavras para desenvolver o filme. As cenas em que os dois protagonistas estão no ecrá são abismais. Por exemplo, o momento em que Smith e a princesa passeiam no campo e param, mas em vez de trocarem beijos, trocam respiração, como se um respirasse dentro do outro, como se de alguma maneira transmitissem vida um ao outro, se completassem. O gesto traduz um sentimento tão forte, que transcende o tradicional amor carnal entre um homem e uma mulher. Traduz um amor que transcende a própria vida. Q'orianka Kilcher é fenomenal. O novo mundo é a sua primeira película, ela foi escolhida entre milhares de pretendentes e desde os primeiros segundos em que aparece que percebemos o porquê de tal escolha. Kilcher consegue transmitir elegância, beleza e um certo misticismo a sua personagem tendo no entanto a presença de uma princesa, e com apenas 15 anos emitir tanta emoção só com a presença física é um feito. Característica importante do filme são os sentimentos das personagens serem expressos em voz-off, como se estivéssemos dentro delas e fossemos omniscientes em relação aos protagonistas, citações de Pocahontas como: “I will find joy in all I see.”; “Who are you?”; “What else is life but being near you!”, são o que trazem a emoção e beleza ao filme, que, em conjunto com o poder das imagens, dão uma certa magia a toda a película. Adminto ser completamente justo o Oscar de melhor fotografia. Collin Farrell mostra-nos a sua mais brilhante interpretação. A sua personagem é dividida entre o poder dos seus sentimos pela princesa nativa e o dever de proteger o seu povo. Depois de uma decisão que mais tarde nunca se perdoará, Smith separa-se de Pocahontas. A Princesa encontra um novo amante em Jonh Rolfe. Este é lindamente interpretado por Christian Bale,( que desde American Psycko ascendeu ao clã dos grandes actores) pois apesar de ele ama-la profundamente Rolfe é o oposto de Smith, pois é uma pessoa mais formal, que tem maneiras mais tímidas de mostrar o seu afecto. O elenco secundário é também muito bom o que dá consistência à película, com especial destaque para os os nativos que desempenham os papeis duma forma muito realista, parecendo tão misteriosos e insondáveis como na realidade devem ser.

Concluindo o único senão do filme é talvez a dificuldade em perceber a história como acontecimento histórico, dada a falta de díalogos e de datas, o que pode tornar difícil a sua derradeira compreensão. Por outro lado, a valorização da imagem em detrimento da palavra faz com que o filme se torne singularmente belo.

P.S.: Um dos nossos filmes preferidos :P


Critica redigida, corrigida e elaborada por:

Rita Gomes, Lagos


Tiago Dinis, Lagos


4 comentários:

Anônimo disse...

com uma critica destas da vontade de ver o filme...!!
Bom trabalho!!

Anônimo disse...

Bem...Eu vi um pouco do filme, até ele ser liberto (penso eu) mas já estava tão aborrecida que não consegui ver mais.

Rita R

Anônimo disse...

Preferi Pocahontas da Disney =P

Rita R

Anônimo disse...

Já tinha ouvido falar muito bem do filme mas depois de ver fiquei apaixonada. xD
O filme é espectacular.. Muito simples, mas profundo e está muito bem feito.
Adorei logo o início, quando ela fala com a "Mãe"... e as partes dos pensamentos das personagens.
A história da Pocahontas é apaixonante e este filme é um hino a essa história.

Mariana